21 julho 2005

37 direitos que nos são negados

No ano passado saiu na revista Super Interessante, um
artigo que falava 37 razões para dizer sim e inumerou
os nossos 37 direitos que nos são negados, diante
disso, como tema mundial as paradas correram e correm
pelo Brasil com um só tema: Direitos Iguais, nem
menos, nem mais! E vc, o que pensa?

1) Não Podem casar;

2) Não te reconhecida a união estável;

3) Não adotam sobrenome do parceiro;

4) Não podem somar renda para aprovar financiamento;

5) Não podem somar renda para alugar imóveis;

6) Não inscrevem parceiro (a) como dependente no
serviço público;

7) Não podem incluir parceiros (as) como dependentes
no plano de saúde;

8) Não participam de programas do Estado vinculados à
família;

9) Não inscrevem parceiros (as) como dependentes da
previdência;

10) Não podem acompanhar o (a) parceiro (a) servidor
publico transferido;

11) Não têm impenhorabilidade do imóvel em que o casal
reside;

12) Não tem garantia de pensão alimentícia em caso de
separação;

13) Não têm garantia à metade dos bens em caso de
separação;

14) Não podem assumir a guarda do filho do cônjuge;

15) Não adotam filho em conjunto;

16) Não podem adotar o filho do parceiro(a)

17) Não têm licença-maternidade para nascimento de
filha da parceira;

18) Não têm licença maternidade / paternidade se o (a)
parceiro (a) adota filho;

19) Não recebem abono-família;

20) Não tem licença-luto, para faltar ao trabalho na
morte do (a) parceiro (a);

21) Não recebem auxilio-funeral;

22) Não podem ser inventariantes do (a) parceiro (a)
falecido (a);

23) Não têm direito à herança;

24) Não têm garantia a permanência no lar quando o (a)
parceiro (a) morre;

25) Não têm usufruto dos bens do (a) parceiro (a);

26) Não podem alegar dano moral se o (a) parceiro (a)
for vitima de um crime;

27) Não têm direito à visita íntima na prisão;

28) Não acompanham a parceira no parto;

29) Não podem autorizar cirurgia de risco;

30) Não podem ser curadores do (a) parceiro (a)
declarado judicialmente incapaz;

31) Não podem declarar parceiro (a) como dependente do
Imposto de Renda (IR);

32) Não fazem declaração conjunta do IR;

33) Não abatem do IR gastos médicos e educacionais do
(a) parceiro (a);

34) Não podem deduzir no IR o imposto pago em nome do
(a) parceiro (a);

35) Não dividem no IR os rendimentos recebidos em
comum pelos parceiros;

36) Não são reconhecidos como entidade familiar, mas
sim como sócios (as);

37) Não têm suas ações legais julgadas pelas varas de
família.

Fonte: Revista Super Interessante, Edição 202 - Julho
de 2004




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19 julho 2005

Em busca de formas mais harmoniosas

Quando li este artigo, fiquei pensando em como seria
tudo mais facil, se nós aprendessemos a ver o próximo
como a nós mesmos, para tanto é necessário que
reflitamos sobre isso e se trabalhe a homofobia
internalizada em muitos de nós. Quando fundamos a
INOVA, pensamos muito em que nome dar, pensamos em
famílias homoafetivas, famílias da diversidade, enfim,
mas por fim, pensamos que o melhor seria FAMÍLIAS
GLTTB, afinal nossa missão é a família, não importa
onde ela se manifeste e em que pilares, ela foi
construída.

Em busca de formas mais harmoniosas




Ao ler a matéria publicada no G Online, mais
especificamente no Blog G, sobre a intenção do
honorável GGB (Grupo Gay da Bahia) em processar Miguel
Falabella, autor da novela global A Lua Me Disse, por
caricaturar os gays em sua obra, mais uma vez me vi
diante de um assunto que venho levantando há anos: o
preconceito contra os efeminados e as masculinas.

O pior é que devido a homofobia internalizada esse
preconceito vem mais da parte dos homossexuais do que
dos héteros.

Já senti o preconceito dos meus “iguais” na pele. Era
efeminado e, por não ser aceito nem pelos héteros e
nem pelos gays, me efeminei por completo e me tornei
travesti. Nunca esqueço a frase que disse quando, aos
22 anos, tomei a decisão: “Vou virar travesti para ser
amado”.

Comigo foi assim. Porém, a questão é: por que existem
homens efeminados e mulheres masculinas?

Ser feminino ou ser masculina está ligado à identidade
de gênero e isso muitas vezes não corresponde nem ao
sexo biológico e nem à sexualidade da pessoa. O
psicólogo Claudio Picazzio, autor de “Diferentes
Desejos”, explica bem essa questão quando fala dos
“quatro pilares da sexualidade”. Um exemplo simples
que ilustra essa questão é que existem muitos
travestis que gostam de mulher.

Como a sociedade denomina o gênero de uma pessoa a
partir de seu sexo biológico, a discussão fica
limitada nessa bipolarização de gêneros da qual a
androginia não faz parte. Porém, a androginia sempre
esteve presente na história da humanidade. Tanto na
Grécia, como na Roma antiga, os efeminados e as
masculinas já se faziam presentes, como provam as
estátuas de Koré, lindas ninfas com corpos musculosos
de Adonis, e os famosos eunucos (um deles, segundo a
História, teria sido casado com Nero).

Precisamos acabar com esse preconceito ridículo de que
homem feminino e mulher masculina não são aceitáveis.

Há muito que venho lutando contra o “preconceito
espelhado”, pois minha experiência de vida mostra que
são raríssimos os gays que não “dão pinta”. Não estou
falando da desmunhecação exacerbada dos personagens
gays em programas humorísticos, cujo objetivo é o de
satirizar. Falo de uma diferença natural que a maioria
dos homossexuais têm, seja no falar, no andar e até no
olhar, que os difere da maioria dos homens
heterossexuais. E que em nome de uma identidade social
“aceitável” eles tentam a todo preço disfarçar.

Há pouco tempo, na Arábia Saudita, um grupo de
homossexuais foi condenado a chibatadas e meses de
prisão por participarem de uma festa gay. Dois
homossexuais do mesmo grupo tiveram suas penas
multiplicadas por dez porque eram efeminados.

Ser efeminado, assim como ser masculino, é uma
característica inerente à natureza da pessoa. Alguns
conseguem camuflar, outros não. Prova maior é a dos
dois gays árabes que mesmo na eminência de uma
condenação tão cruel não tiveram como disfarçar, pois,
se pudessem, com certeza o fariam.

Passei toda minha infância e adolescência com as
pessoas tentando corrigir minha feminilidade. Muitas
vezes eu tentei, mas não adiantou. Foi mais fácil
virar “mulher”.
Acredito que lutar por uma cidadania plena começa em
não se camuflar e aceitar a sua identidade. Temos de
ser aceitos como somos, não como nossos opressores
desejam nos moldar.

Tenho o maior respeito pelos ativistas gays, mas
acredito que eles deveriam começar a pensar mais sobre
isso, aliás, muitos ativistas pensam da mesma forma
que a maioria e detestam efeminados. Conheço um
célebre militante que se vangloria de ter conseguido,
com muito esforço diante do espelho, uma atitude
masculina.

Se quisermos mudar o mundo a nossa volta, temos
primeiro que mudar o nosso próprio mundo interior, nos
aceitando de verdade e por inteiro.

O professor Jean Wyllys estava certo ao afirmar, em
entrevista para a G Magazine, que os travestis
(leia-se também efeminados) estão na vanguarda da luta
contra o preconceito, e que eles formam um escudo que
protege os gays da hegemonia homofóbica. É assim: com
a visibilidade das “transgressoras”, os gays mais
parecidos com héteros se tornam mais “limpinhos”.

Jean provou saber das coisas, assim como o filósofo
Richard Rorty, quando diz: “Não pergunte o que é ser
masculino ou feminino, nem como podemos nos descrever
enquanto homens ou mulheres. Pergunte como podemos
buscar formas mais belas e harmônicas de vida”.


Claudia Wonder

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PELO DIREITO DE SER DIFERENTE, IGUAL A VOCÊ!!


FAMILIAS GLTTB
PORQUE NENHUMA FAMILIA É IGUAL

1. Pelo direito de amar;
2. Pelo direito de ser feliz;
3. Pelo direito de ser repeitado;
4. pelo direito de ser uma família;
5. Pelo direito de ter duas mães;
6. Pelo direito de ter dois pais;
7. Pelo direito de ser diferente.


FAMILIAS GLTTB
PORQUE MINHA FAMILIA É DIFERENTE, ASSIM COMO A SUA!




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Dia Nacional da Visibilidade Lésbica

No próximo mês de agosto, no dia 29, comemoramos o dia
nacional da visbilidade lésbica, com certeza todos os
grupos lésbicos irão fazer algum tipo de atividade
para dar visibilidade as demandas das mulheres
lésbicas e é bastante importante, que fiquemos atento
a essas demandas porque hoje a mulher é o carro da
chefe da família e nas famílias GLTTB, como é isso?
Como disse, Marisa Fernandes a mim, como trabalhar a
erotismo feminino e a maternidade lésbica? Enfim,
questões que nós da INOVA iremos pensar, refletir e
buscar respostas junto a comunidade lésbica, por isso
neste dia, esteje atento, porque a INOVA estará
envolvida com estas demandas e logo, divulgaremos a
programação para o Dia Nacional da Visibilidade
Lésbica.




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18 julho 2005

Os últimos 30 anos revolucionaram o casamento

Recentemente, saiu uma matéria no NY Times e veiculada
pelo site ATHOS GLS sobre o livro "Marriage, a
History: From Obedience to Intimacy or How Love
Conquered Marriage" ("Uma História do Casamento: Da
Obediência à Intimidade, ou Como o Amor Conquistou o
Casamento") e uma entrevista com sua autora Stephanie
Coontz, leiam abaixo parte da entrevista e quem se
interessar, pode acessar a matéria toda no site:
http://www.athosgls.com.br/index.php?page=ver_noticias&cmd=290&mid=20

Os últimos 30 anos revolucionaram o casamento
"Papel da mulher era fornecer sexo e cuidar da casa.
Isso acabou"

Claudia Dreifus
Em Boston

Embora muitos historiadores passem as suas vidas
examinando documentos sobre presidentes
norte-americanos ou generais da Guerra Civil, o
território de Stephanie Coontz é ao mesmo tempo mais
mundano e mais contencioso.

Coontz, 60, professora de Estudos sobre a Família na
Faculdade Estadual Evergreen, em Olympia, Washington,
pesquisa o processo de formação das famílias ao longo
da história. A sua especialidade é a história do
casamento.

O seu quinto livro sobre o tópico, "Marriage, a
History: From Obedience to Intimacy or How Love
Conquered Marriage" ("Uma História do Casamento: Da
Obediência à Intimidade, ou Como o Amor Conquistou o
Casamento"), acabou de ser lançado pela editora
norte-americana Viking.

A revista "Publisher's Weekly" disse que Coontz
"apresenta os seus argumentos de forma clara,
proporcionando um excelente equilíbrio entre o
acadêmico e o assimilável pelo público comum neste
livro atual e importante".

A família de Coontz inclui o marido, Will Reissner, um
aposentado de 60 anos da Northwest Airlines, e o
filho, Kris Coontz, 24, bombeiro que deve começar em
breve a Faculdade de Medicina.

"Eu estudo aquilo que vivencio", explica Coontz,
enquanto saboreia uma taça de vinho. No mês passado
ela visitou Boston para promover o novo livro.

The New York Times - Como foi que você desenvolveu
aquilo que certas pessoas podem considerar uma
especialidade incomum, a história do casamento?

Stephanie Coontz - Quanto enveredei por esse caminho,
nos anos 70, era um campo realmente bizarro. Eu era
formada em história política e econômica. Em 1975, que
foi o ápice do movimento feminista, pensei em escrever
um livro sobre a história das mulheres.

Mas ao buscar um tópico, percebi que havia poucos
pontos no decorrer da história nos quais homens e
mulheres interagiam. Finalmente, a idéia surgiu para
mim: "Ah, veja a família. É esse o ponto no qual houve
interação".

Nos anos 70, a história da família ainda não era tida
como um campo de estudos sério. Fiquei apavorada com a
possibilidade de que outros historiadores rissem de
mim. Chamei o meu livro de "The Social Origins of
Private Life" ("As Origens Sociais da Vida Privada").

Deveria ter sido "As Pompous as You Want to Be" ("Tão
Pomposo Quanto Você Quiser Ser"). Cada sentença era um
jargão acadêmico, e se eu dissesse X, explicaria com
Y. O novo livro não tem nada disso.

NYT - Qual a tese central do novo livro?

Coontz - A de que o casamento mudou mais nos últimos
30 anos do que nos 3.000 anos anteriores. Isso
aconteceu em grande parte devido ao fato de as
mulheres terem mudado tão dramaticamente.

No decorrer da minha vida, o casamento, que era uma
instituição rígida na qual o papel dos gêneros era
estritamente definido, se transformou naquilo que
atualmente vemos com freqüência --parcerias. Até
meados do século 20, sustentar a família era papel do
homem. O papel da mulher era fornecer sexo e cuidar da
casa. Isso acabou.

Em três décadas, nos livramos de todas as exigências
legais e políticas de que as mulheres sejam
subordinadas aos seus maridos. Ao mesmo tempo, as
mulheres conquistaram independência econômica, de
forma que não são subordinadas.

Também eliminamos as leis que penalizavam as crianças
rotuladas de ilegítimas. Tomando todos esses fatores
juntos, temos uma mudança na história humana tão
dramática quanto a Revolução Industrial.

NYT - Os românticos do final do século 18 tentaram
reformar o casamento?

Coontz - Sim, isso fez parte do Iluminismo, a demanda
pelo casamento por amor. Os defensores daquilo que à
época era um casamento tradicional, um casamento
arranjado, ficaram horrorizados.

Eles disseram: "Se as uniões com base no amor se
tornarem a norma, teremos pessoas vivendo juntas sem
casamento, parcerias homossexuais, divórcio e
ilegitimidade".

Eles estavam certos. A união por amor era
desestabilizadora. Mas as implicações radicais da
"revolução do amor" não seriam colocadas em prática
até que as mulheres contassem com métodos confiáveis
de contracepção e fontes de renda independentes. E
isso demorou mais 200 anos para ocorrer.

NYT - Alguns críticos se perguntam se as mudanças no
casamento foram boas para os filhos. Você simpatiza
com tais preocupações?

Coontz - Certamente a situação para as famílias
modernas não é fácil. Mas, como sabemos, quando as
pessoas pensam de forma romântica nos casamentos do
passado, dizem: "O objetivo do casamento é garantir
que toda criança tenha uma mãe e um pai".

Mas durante milhares de anos, o casamento dizia
respeito a determinar quem seriam os parentes, fazer
alianças, determinar que criança tinha um direito aos
pais e à herança. Filhos ilegítimos não tinham
direito. Vários desses tradicionalistas idealizaram um
paraíso que nunca existiu.

NYT - Por que os anos 50 são freqüentemente tidos como
a era dourada das famílias norte-americanas?

Coontz - Parte disso tem a ver com a economia. A
década de 50 foi um período de otimismo, quando uma
legião de soldados que retornaram da 2ª Guerra Mundial
se mudou para subúrbios subsidiados e formou famílias,
tudo ao mesmo tempo. A economia estava em expansão,
assim como as esperanças nacionais, e havia uma
experiência compartilhada.

Contrastando com isso, estamos vivendo agora em uma
era na qual as disparidades sociais estão se
ampliando. Ao mesmo tempo, as mulheres desempenham
atividades assalariadas e não estão mais em casa.
Algumas pessoas se perguntam o que ocorrerá com as
crianças quando as mulheres não se sentirem mais
obrigadas a cuidar dos filhos.

Os norte-americanos acreditam que é possível ter uma
economia na qual o vencedor ganhe tudo, porque a
família nuclear zelará pelo altruísmo e as obrigações.

Assim, quando constatamos que parece que a família
nuclear não vai mais fazer isso, o sentimento é muito
assustador. Creio que grande parte dos critérios
sociais que influíram na votação durante a última
eleição presidencial foi alimentada por essa sensação.

Tudo isso veio à tona por causa da questão dos gays e
das lésbicas. Os Estados Unidos são uma das nações
mais sexualmente conservadoras do Ocidente,
especialmente quando se trata da homossexualidade.
Assim, para muitos eleitores, o fato de os gays
lutarem pelo direito ao casamento, enquanto os
heterossexuais procuram revolucioná-lo, foi a gota
d'água.

NYT - Como você encara o fato de os índices de
divórcio serem especialmente elevados em vários
Estados republicanos, como Oklahoma e Alabama?

Coontz - Vejo isso como um sinal de que as famílias
estão mudando tão rapidamente que os valores
estabelecidos são indicadores fracos dos
comportamentos reais. Os indivíduos educados têm mais
probabilidade de possuir um sistema de valores que
afirme não haver problema com o divórcio, mas eles
apresentam menor tendência a fazê-lo.

Os negros são mais propensos do que os brancos a
desaprovar a separação. E, no entanto, a praticam
mais. Oklahoma e Alabama apresentam altos índices de
divórcio. Em Massachusetts, o Estado mais conhecido
pelo liberalismo, esses índices são baixos.

NYT - Periodicamente, as revistas de notícias publicam
artigos sobre mulheres empresárias que deixam os
escritórios para se tornarem mães em tempo integral.
Sobre o que de fato tratam esses artigos?

Coontz - Uma expectativa irreal, é o que suspeito. As
estatísticas não indicam que tal fenômeno esteja
ocorrendo. O que elas revelam é que o rápido ingresso
de mães com filhos novos no mercado de trabalho se
estabilizou e caiu ligeiramente.

Em 1998, quase 60% das mulheres retornavam ao trabalho
antes que os filhos completassem um ano de idade.
Agora esse número é de 55%. Isso pode ser um sinal da
revolução se consolidando, em vez de se revertendo.
Atualmente muitas mulheres têm confiança para dizer:
"Posso negociar licenças mais longas, e se não puder,
pedirei as contas e conseguirei outro emprego mais
tarde".

NYT - Você diz que um componente-chave da revolução do
casamento tem sido a capacidade da mulher controlar a
sua fertilidade. Será que essas mudanças continuarão
se o aborto se tornar ilegal?

Coontz - Isso não vai mandar as mulheres de volta para
casa. Haverá uma crescente polarização entre as opções
disponíveis para as mulheres afluentes e as pobres.
Mulheres afluentes encontrarão maneiras de contornar
as leis restritivas ao aborto, e as mulheres pobres
ficarão sem opção. Creio que a revolução do casamento
é uma mudança social grande demais para ser revertida.
Não é possível acabar com ela.

NYT - Qual é o aspecto mais positivo da revolução do
casamento?

Coontz - O quanto os homens mudaram nestes últimos 30
anos. Nunca se via homens com os filhos. Atualmente os
maridos acreditam que fazem muito mais trabalhos
domésticos do que de fato fazem, mas eles estão
realizando algo de fato. Quando vejo os
relacionamentos maravilhosos e respeitosos que o meu
filho e os seus amigos mantêm com as mulheres em suas
vidas, enxergo algo realmente novo.

NYT - Qual é a história conjugal da historiadora do
casamento?

Coontz - Eu passei pelo tipo de vida complexa sobre a
qual escrevo. Fui mãe solteira durante 12 anos. Fui
noiva. Me casei. Aí descobri que estava grávida e
optei por ter o meu filho por conta própria. Eu era
professora e tinha trinta e poucos anos. Tinha
condições de arcar com as despesas. Doze anos mais
tarde, um outro homem, Will --uma paixão dos tempos de
faculdade--, reapareceu em minha vida. Nos casamos, e
ele se tornou um segundo pai para o meu filho.

A minha história ilustra aquilo sobre o qual eu às
vezes escrevo. Não se pode julgar a saúde de uma
família pela forma que ela assume em um dado momento.
Atualmente, as pessoas chegam a boas posições por meio
de rotas bem estranhas. Também é verdade que os
indivíduos podem seguir rotas bastante tradicionais e
acabar em situações muito ruins.

Tradução: Danilo Fonseca
The New York Times

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